quarta-feira, 31 de março de 2010

Ser escritor



Na aula passada de Leitura e Escrita lemos textos falando das memórias de infância de dois escritores, João Ubaldo Ribeiro e Graciliano Ramos. Eu sempre pensei que para se adquirir gosto pela leitura e escrita era necessário que as mesmas fossem introduzidas à criança sem pressão e sem castigos. Em minha experiência em londres, quando trabalhava cuidando de quatro crianças de uma mesma família, tive muitas discussões com a mãe delas sobre esta minha certeza. Ela estipulou que todos os dias às 17:30 eu e o menino mais velho, com oito anos, deveríamos ir para o escritório da casa e ele leria para mim o livro dele por meia hora e que no final eu faria perguntas sobre o trecho lido e que, ao final do livro, ele faria uma redação a respeito. Na hora da leitura todos os dias esse menino subia as escadas se arrastando, como se estivesse caminhando no corredor da morte. Em uma semana resolvi dizer a ela o que eu achava daquilo tudo, pois estava sofrendo com ele. Disse que eu achava que ele iria criar um trauma de leitura, que ele não lia por prazer e sim para cumprir uma tarefa e que, na hora das perguntas, ele me respondia coisas simples sem mostrar interesse. Ela respondeu que não sabia o que fazer pois perguntas, respostas e redação eram exigências da escola. Disse que se eu soubesse outro método que o fizesse então. O triste é que eu não sabia. Então tentei perguntar para o próprio menino como ele queria fazer todas aquelas tarefas. Ele começou dizendo que queria ler por si só, sem ser para mim, concordei, afinal isso não era exigência! Então comecei a ler meu livro enquanto ele lia o dele. As vezes ele me perguntava o que estava acontecendo no meu livro, se eu estava gostando, eu dizia que sim e que o mocinho beijou a mocinha e que zás e blás e pum... e eu estava muito curiosa pra saber se poderiam ficar juntos. E então parava e perguntava: E o seu? tá bom? o que está acontecendo? e a partir desses relatos começamos a fazer as anotações que a escola tanto precisava. A escola era francesa e algumas das leituras eram em francês, mas isso era mais simples pois, por eu não entender muito de francês, ele se sentia o máximo de ler e traduzir tudo para mim.
Mas voltando aos textos lidos e talvez fazendo uma ligação com o caso do Maxime, o menino que eu cuidava, não entendo como Graciliano Ramos conseguiu se tornar  um escritor. Na minha teoria ele odiaria ler e escrever para o resto da vida. Já para João Ubaldo Ribeiro tudo me pareceu mais prazeroso, mais livre e, sendo assim, na minha opinião mais produtivo. Então penso que talvez o desejo da leitura e da escrita aconteça para qualquer um, indiferente das formas que lhe foram passados na infância. O que deve mudar é a maneira com que esses hábitos exercem sobre nossas vidas. Graciliano escreve, pelo menos neste texto, de forma mais dura, como que colocando para fora sentimentos guardados da infância, João Ubaldo já deixa claro uma infância mais livre, onde mesmo tendo sido forçado pelo pai a aprender a escrever cedo, não se lembra disso de forma rancorosa, e o Maxime eu não sei, é muito cedo para dizer de que forma ele vai usufruir disso tudo no futuro, espero que da melhor maneira possível.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Meus métodos

Após ler o poema O corvo de Edgar Allan Poe na semana passada, e ter constatado que, no final, toda a minha leitura foi uma grande catástrofe, comecei a repensar meus hábitos de leitura e a me questionar porque é tão difícil de ler textos que não considero interessantes. Isso não acontece somente com poemas, que normalmente acho chato e com linguajar difícil, mas sim com reportagens de jornal, textos acadêmicos e uma imensidão de outros textos de informação. Comecei e pensar e comparar a relação que tenho com a leitura com uma relação amorosa. Não é comum as pessoas estarem em uma relação por uma questão de afinidade? Por exemplo: “Eu só estou com Fulano porque temos muitas coisas em comum, falamos a mesma língua gostamos das mesmas coisas e assim nos entendemos”. Acho que é um pouco assim que acontece comigo e a leitura. Eu penso que não quero ficar com ela se ela não me transmitir essa sensação de afinidade, se eu não puder dividir com ela a mesma língua. Então quando eu disse em uma postagem anterior que eu sempre tive o hábito de ler mas que essa relação nem sempre foi assim, um mar de rosas, eu me referia à esta parte da leitura. Eu sempre gostei realmente de ler, mas sempre foram romances. Incontáveis.

Eu penso que com isso eu limito demais meu conhecimento, pois acabo ficando à mercê de receber informações diversas apenas oralmente. Isso não é legal para mim e venho me forçando nos últimos anos a ter o hábito de ler e ir até o fim em assuntos que não são de meu interesse, mas que possam de alguma forma me trazer conhecimento. Vou aos poucos descobrindo as minhas técnicas para tal tarefa. Já percebi que os textos que não me atraem devem ser lidos em um outro contexto que não às pressas em uma sala de aula. Acho que foi isso que me atrapalhou com o poema ‘O Corvo’. Outra técnica que uso é a de anotar frases que resumam o que foi lido, mas essas somente nos casos de uma tarefa acadêmica a ser cumprida. Para poemas, costumo ler duas vezes, para o jornal e política procuro discutir o assunto com outras pessoas e para os romances é a mesma coisa de sempre: abrir o livro e ler, em qualquer lugar, a qualquer hora, e nada irá me desconcentrar.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ventriloquia

A ventriloquia é a arte de projetar a voz, sem que se abra a boca ou mova-se os lábios, de maneira que o som pareça vir de outra pessoa. Sexta feira passada eu e um amigo ficamos por horas na internet vendo vídeos de ventriloquia e acabamos por nos prender à uma única pesquisa: O americano Jeff Dunham. Esse homem conseguiu fazer um espetáculo com 5 personagens diferentes e mais ele mesmo, que sempre interage com seus bonecos. Isso quer dizer que ele consegue fazer 6 vozes diferentes, sem que nós espectadores possamos perceber sua boca se mexendo. Fiquei muito confusa e não consigo entender algo assim... então voltei a pensar naquela história toda de dom ou prática e cheguei à conclusão de que este homem não é resultado nem de um nem de outro e sim de um milagre!

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Corvo

Eu não gosto muito de poemas, então ler um é extremamente difícil para mim pois me desconcentro muito facilmente mas vou me esforçar... vou me esforçar... vamos lá Ludmila, você consegue. “Mas Larissa, o que é pra fazer? Manu?” Ludmilaaa, o poema!!!

Comecei. Tento fechar os ouvidos pra ver se vem mais rápido pra mim. Estou lendo e entendendo, mas quando acabo a primeira estrofe releio para garantir que entendi mesmo. Pronto vou para a próxima. Ele está falando de uma mulher, é um amor proibido, já estou pensando que é a prima dele que eu li anteriormente em um site que eles se casaram às escondidas. Isso não importa. Ou importa? “Larissa, essa mulher é a prima dele?” Ai ai alguém pediu para eu ficar quieta. Desculpa gente.

E assim vou lendo, cada estrofe duas vezes para garantir o entendimento. Agora já estou na segunda página e estou começando a me envolver com o poema, tentando pensar o que se passava na cabeça daquele homem. Talvez ele esteja tendo alucinações penso eu.

Pronto, já estou me desconcentrando de novo, que pena, estava indo tão bem... Bom só estão faltando 4 estrofes, acho que não vou comentar mais porque certamente daqui para frente lerei sem me aprofundar. É assim, uma tarefa difícil ler um poema. Vou parar. Parei.

terça-feira, 9 de março de 2010

Escrever, escrever e escrever




Escrever esta semana está sendo um pouco diferente e doloroso pelo fato de que desta vez farei um comentário a respeito de 3 textos, lidos pela classe inteira. Isso significa que a magia e fantasia de um texto inventado por mim, que trate da minha infância, de momentos que eu nem lembro direito e que possa inventar como ficaram gravados na minha memória, acabou! Mas vamos lá...
Os textos são uma entrevista com o poeta João Cabral de Melo Neto publicada nos Cadernos de literatura brasileira do Instituto Moreira Salles, 1996, e dois artigos redigidos pela autora Rachel de Queiroz (A "inspiração" não vem para todos e Escrever), que eu, particularmente, gostei muito mais. Mas basicamente os três textos tratam do mesmo assunto: ESCREVER! Na minha opinião para ambos escritores a inspiração não é algo que vem do além. O ato de escrever é algo que se deve ser trabalhado, e que as vezes demora bastante tempo a ser concluído. José Cabral de Melo Neto compara esse processo com o da construção de uma casa e assim, para os autores como ele, que têm um projeto, planejam os livros, têm como tarefa um vazio a ser preenchido, ao contrário dos que saem escrevendo e quando chegam ao final têm a sensação de um transbordamento de informações. Para Rachel de Queiroz o ato de escrever é um processo penoso que começa com um desejo de transmitir alguma coisa, uma história a ser contada. E então frases vão surgindo e depois os personagens... mas então o pior acontece, chega o momento que o autor tem que criar o ápice de sua obra, a tônica do trabalho, e é então que ele emperra e lhe falta imaginação para continuar. Talvez para os que tem a tal inspiração vinda de Deus essa sensação criadora deve ser algo extremamente gratificante, mas para os autores comuns escrever é como a autora disse mesmo: "você pena, padece e só então escreve".
O terceiro texto também trata do ato da escrita, mas em um contexto familiar, desde a infância. Faz uma comparação do ato de escrever na infância e juventude entre  famílias com pais medíocres intelectualmente e pais cultos e letrados.  Boa parte deste texto me lembrou da minha infância e dos textos que escrevi e ia cautelosa e duvidosa mostrar ao meu pai, que como já disse em outra postagem, é um homem rigoroso com a educação e consequentemente com a escrita. Mas tudo deu certo e não criei traumas propriamente ditos, pelo contrário, agora mesmo estou mostrando este texto a ele e perguntando o que acha. Ele gosta... deve estar menos exigente!